Tem um cara que sempre me diz que o ciúme é o medo de se perder o que não se tem. Eu sei que a frase não é dele, mas ele repete pra me trazer pro chão todas as vezes que demonstro os insanos sinais de quem é realmente humano, ou seja, quando contradigo tudo o que acredito e sinto que tenho a escritura de meus amigos. Normalmente tenho ciúme de coisas. Puro egoísmo. Não mexa no meu prato, não use meu shampoo, minhas roupas, meus perfumes... Minha adolescência foi cheia de gritos com minha irmã por conta disso, até que um dia ela deu motivo e foi gentilmente “remanejada” pra outro quarto. Me controlo muito e me sinto quase curada, mas agora comecei a sentir um ciúme idiota de algumas pessoas. Por mais que eu viva repetindo (e acredite nisso) que o que é meu sempre volta pra mim e se for embora é porque não era meu, em alguns momentos eu sei que fico insuportável. Estou me esforçando muito pra não ser assim e sei que vou conseguir. Na verdade nada dura muito tempo mesmo, nem é coisa pra se preocupar... uma obsessão sempre se sobrepõe a outra e raramente fico afim de alguma coisa por muito tempo. Quando era pequena meu tio me disse que o cérebro é incapaz de sentir duas dores ao mesmo tempo... li no Diário de um Mago que todas as vezes em que o “Mago” sentia pena de si mesmo ele usava um instrumento pontiagudo para ferir sua cutícula até que a dor o fizesse esquecer... eu arrumo outra coisa mais louca pra pensar, outra sarna que coce mais. E sempre funciona, exceto por esta vez.
"...não é desejo, nem é saudade. Sinceramente nem é verdade..." L'Avventura - Legião Urbana - essa música me persegue, cada dia um pedacinho... quase sempre quem "foge" sou eu.
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